Governo flexibiliza aquisição de combustíveis para conter crise de abastecimento em Moçambique
O Governo moçambicano anunciou medidas excepcionais para enfrentar a actual escassez de combustíveis que tem afectado várias regiões do país, com maior incidência na área metropolitana de Maputo. A decisão, tomada pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), visa garantir maior fluidez no fornecimento de combustíveis líquidos num momento marcado por dificuldades logísticas e pressões externas.
De acordo com informações oficiais, o Executivo autorizou temporariamente os operadores retalhistas — como postos de abastecimento — a adquirirem combustíveis junto de qualquer distribuidor licenciado que disponha de produto, independentemente dos contratos previamente estabelecidos. A medida procura acelerar o reabastecimento e reduzir as rupturas de stock que têm sido registadas nos últimos dias.
Contexto de escassez e constrangimentos
A crise de abastecimento tem vindo a agravar-se, levando a longas filas em postos ainda operacionais e a uma crescente tensão entre os consumidores. Segundo o MIREME, parte dos constrangimentos resulta de limitações no processo de aquisição junto dos distribuidores tradicionais, muitas vezes ligadas a dificuldades logísticas e ao acesso à moeda estrangeira necessária para importação de combustíveis.
Além disso, factores externos, como a instabilidade em regiões produtoras de petróleo, têm contribuído para pressionar a cadeia de abastecimento global, afectando directamente países dependentes de importações energéticas, como Moçambique.
Em comunicado, as autoridades explicam que a flexibilização temporária das regras pretende “assegurar que todos os postos de abastecimento tenham acesso ao produto, enquanto se restabelecem as condições normais de distribuição”.
Impacto no quotidiano da população
No terreno, os efeitos da escassez são visíveis. Em Matola e Maputo, automobilistas enfrentam horas de espera para conseguir abastecer, enquanto outros acabam por regressar sem sucesso devido à falta de combustível nos postos.
A situação tem provocado não apenas frustração, mas também episódios de desordem, incluindo tentativas de furar filas e discussões entre utentes. Em alguns casos, viaturas ficam imobilizadas nas vias por falta de combustível, agravando o congestionamento urbano.
As autoridades apelam à calma e alertam contra práticas como o açambarcamento e a criação de reservas domésticas, que podem intensificar artificialmente a escassez ao aumentar a procura de forma repentina.
Transportadores ameaçam paralisação
O sector dos transportes é um dos mais afectados pela crise. Operadores de transporte semicolectivo relatam dificuldades crescentes para manter a actividade, já que grande parte do combustível disponível é consumida na própria procura por abastecimento.
Representantes da Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) alertam que, caso a situação persista, poderá haver paralisação parcial ou total dos serviços de transporte público na região metropolitana.
Segundo transportadores, o racionamento em alguns postos — que limitam o abastecimento a valores reduzidos — torna inviável a operação regular. Com quantidades insuficientes, muitos veículos não conseguem completar as rotas diárias, afectando directamente milhares de passageiros.
Como consequência, um número crescente de cidadãos tem sido obrigado a percorrer longas distâncias a pé, devido à redução da oferta de transporte público.
Medidas e perspectivas
O Governo garante que a medida de flexibilização será temporária e permanecerá em vigor apenas até que os distribuidores recuperem a capacidade normal de fornecimento. Paralelamente, afirma estar a monitorizar continuamente a situação e a implementar acções adicionais para estabilizar o mercado.
Especialistas consideram que a decisão pode aliviar a pressão no curto prazo, ao permitir maior circulação de combustível entre diferentes operadores. No entanto, alertam que soluções estruturais serão necessárias para reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos no sector energético.
Entre essas soluções, destacam-se o reforço da capacidade de armazenamento, a diversificação das fontes de abastecimento e o investimento em energias alternativas.
Um desafio para a economia
A escassez de combustíveis surge num momento sensível para a economia moçambicana, onde o sector energético desempenha um papel fundamental. A instabilidade no abastecimento pode afectar não apenas o transporte, mas também a produção industrial, a distribuição de bens e o custo de vida.
O Executivo reafirma o seu compromisso com a transparência e a normalização da situação, apelando à colaboração de todos os intervenientes — desde operadores económicos até consumidores — para evitar o agravamento da crise.
Enquanto isso, nas ruas de Maputo e arredores, a realidade continua marcada por filas, incerteza e expectativa de que as medidas agora adoptadas tragam alívio nos próximos dias.
Ver mais sobre:
https://www.newsmix24hr.com.br/2026/04/mocambique-enfrenta-pressao-nas.html






